
Com a sua vocalização característica e dotes na escrita de canções populares sobre a classe trabalhadora, a abordagem do ícone canadiano Bryan Adams aos fundamentos do rock'n'roll encontrou um nicho que já dura há mais de 20 anos.
A carreira a solo de Adams iniciou-se com a edição do seu álbum de estreia de título homónimo, Bryan Adams, em Fevereiro de 1980, pela A&M Records. Adams tinha já andado em digressão, gravado demos e trabalhado como músico de estúdio para sobreviver durante alguns anos, mas foi quando criou uma parceria para a escrita de canções com o baterista Jim Vallance que as coisas começaram a acontecer.
O primeiro álbum não foi inicialmente editado nos EUA (embora “Hiding from Love” tenha sido lançado como single e até alcançado o N.º 43 da tabela de música dança), como tal Adams reuniu uma banda de apoio e embarcou para a sua primeira digressão canadiana em nome próprio, passando quatro meses a tocar em bares e universidades.
A digressão seria o ponto de partida para o seu segundo álbum, You Want It, You Got It, que foi gravado em Nova Iorque em duas semanas e editado na Primavera de 1981. O título original do álbum era Bryan Adams Hasn't Heard Of You Either, mas acabou rejeitado pela A&M por ser demasiado provocatório. Este segundo álbum tornou-se a primeira edição “oficial” de Adams nos EUA.
Andou em digressão pela América durante seis meses, fazendo as primeiras partes dos Kinks e dos Foreigner, e em Janeiro de 1982 o álbum entrou nas tabelas da Billboard, alcançando o N.º 118 em 13 semanas. O single “Lonely Nights” tornou-se a sua primeira entrada nos Hot 100, em N.º 84, e trepou até N.º 3 na tabela de rock mainstream.
O seu terceiro álbum, Cuts Like a Knife, foi editado em Janeiro de 1983, com o single “Straight from the Heart” a abrir caminho. Isto escancarou as portas à sua carreira, atingindo o Top 10 do Hot 100 e preparando o terreno para o LP, que se seguiu. O álbum também alcançou o Top 10, chegando à platina e produzindo êxitos adicionais para o Top 40, com o tema-título e “This Time”.
O sucesso do álbum foi estimulado pela sua extensa digressão de apresentação, que começou no Canadá e continuou pelos EUA, onde fez as primeiras partes dos Journey. De seguida percorreu a Europa, seguindo-se actuações no Japão antes do regresso ao Canadá.
Reckless, o quarto álbum de Adams, foi editado a 5 de Novembro de 1984, o dia do seu 25.º aniversário, e foi precedido pelo single “Run to You”, que alcançou o Top 10. Foi seguido no Top 20 por nada menos que cinco singles retirados do álbum: “Somebody”, “Heaven” (que atingiu o número um), “Summer of '69” (Top 10), “One Night Love Affair” e “It's Only Love”, um dueto com Tina Turner.
Reckless chegou a N.º 1 nos EUA, vendendo cinco milhões de cópias na América e mais três milhões no resto do mundo. Adams também conseguiu as suas duas primeiras nomeações para os Grammys, Melhor Performance Rock Masculina para o álbum como um todo, e Melhor Performance Rock para um Duo ou Grupo com “It's Only Love”. Como de costume, Adams fez uma extensa digressão de apresentação do disco. A sua digressão “World Wide in '85” começou em Dezembro de 1984 terminando apenas em Novembro de 1985. Um dos pontos altos desse ano incluiu ser o primeiro artista a inaugurar o lado americano do concerto do Live Aid, a 13 de Julho, em Filadélfia.
Seguiu-se Into the Fire, em Março de 1987, precedido pelo single “Heat of the Night”, que se tornou o quinto êxito de Adams no Top 10 dos EUA. O álbum atingiu o Top 10 nos EUA e vendeu aí um milhão de cópias, acrescido de mais um milhão no resto do mundo. O registo também originou dois outros sucessos no Top 40, “Hearts on Fire” e “Victim of Love”. A digressão mundial relativa ao disco prolongou-se por mais de um ano. Um dos derradeiros concertos, em Werchter (Bélgica), foi filmado para um especial televisivo, “Bryan Adams: Live in Belgium”, transmitido no ano seguinte no Canadá.
Live! Live! Live!, um álbum gravado a partir de um concerto na Bélgica em 1988, foi inicialmente editado apenas no Japão, mas obteve posteriormente uma audiência mais vasta. Num desvio em relação aos primeiros anos, Adams não efectuou uma digressão exaustiva preferindo passar o seu tempo em Inglaterra na preparação do disco seguinte, com o compositor/produtor Robert John “Mutt” Lange.
Em Junho de 1991, Adams voltou à estrada na Europa, partilhando o estatuto de cabeça de cartaz com os ZZ Top. Isto coincidiu com a edição do single “(Everything I Do) I Do It for You” que liderou as tabelas dos EUA durante sete semanas – o maior período de tempo que uma canção permanecia em N.º 1 em oito anos. O seu sucesso internacional foi ainda maior; passou 16 semanas como N.º1 no Reino Unido, o que a tornou a canção com um tempo de liderança mais prolongado na história das tabelas de vendas britânicas.
Waking Up the Neighbours foi editado em Setembro de 1991 e, mais uma vez, Adams fez-se à estrada – então até Julho de 1993. O álbum incluiu dois êxitos no Top 10, “Can't Stop This Thing We Started” e, obviamente, “(Everything I Do) I Do It for You”. Antes que o disco terminasse o percurso, ainda houve tempo para mais três sucessos no Top 40, “There Will Never Be Another Tonight”, “Do I Have to Say the Words?” e “Thought I'd Died and Gone to Heaven”. Waking Up the Neighbours vendeu quatro milhões de exemplares nos EUA e outros seis milhões no resto do mundo. Também valeu a Adams uma nomeação ao Grammy e outra (a sua primeira) ao Oscar da Academia de Hollywood.
Adams começou a ficar ansioso pelo seu próximo álbum de estúdio, mas entretanto lançou uma compilação de êxitos, So Far So Good, em Novembro de 1993, que incluiu o single “Please Forgive Me”, uma nova faixa composta por Adams/Lange. A canção iria descobrir o seu caminho até ao Top 10. De seguida chegou “All for Love”, a canção principal do filme “Os Três Mosqueteiros”, gravada com Rod Stewart e Sting, que atingiu o N.º 1 nos EUA em Janeiro de 1994. Nesse mesmo ano, Adams embarcou numa ambiciosa digressão pelo Extremo Oriente, que incluiu países, como o Vietname, raramente visitados por estrelas pop do Ocidente.
Bryan manteve-se discreto durante a maior parte de 1994, com a excepção de uma canção intitulada “Rock Steady”, escrita para o álbum ao vivo de Bonnie Raitt, Road Tested. Os dois interpretaram a canção em dueto e rapidamente partilharam um singles nas tabelas de vendas.
No início de 1996, Adams editou um novo álbum 18 'Til I Die. Este incluiu “Have You Ever Really Loved a Woman?”, um tema com laivos de flamenco que fazia parte da banda sonora do filme “Don Juan DeMarco”, com Johnny Depp e Marlon Brando. Adams foi recompensado com outro êxito em N.º 1, assim como uma nomeação para o Grammy da Melhor Performance Pop Vocal Masculina e a sua segunda indicação ao Oscar para a Melhor Canção.
Seguiu-se uma digressão de 18 meses e o álbum rapidamente chegou à platina nos EUA. Os singles “Lets Make A Night To Remember” (que passou sem grande alarido pelo Top 40) e “The Only Thing That Looks Good On Me Is You” (famoso pelo título provocatório) saíram-se bem fora dos EUA, mas não fizeram grande estrago nas tabelas de vendas dos EUA, talvez devido ao facto da sua editora discográfica (A&M) ter transferido o contrato do canadiano a meio do período de edição para a independente Interscope Records.
No Outono de 1997, Adams filmou uma actuação para a popular série “Unplugged” da MTV e esta foi editada como um álbum em Dezembro. Foi um sucesso modesto e serviu como um substituto temporário até ao surgimento do seu próximo disco de estúdio, On a Day Like Today, editado em Outubro de 1998. No estrangeiro, o registo incluiu o dueto com Melanie C “When You're Gone”, que foi N.º 3 no Reino Unido em Dezembro de 1998 e passou dez semanas no Top 10. A este seguiu-se uma remistura de dança de “Cloud Number Nine”, que também foi ao Top 10. O álbum atingiu ainda o N.º 3 no Canadá.
Em Novembro de 1999, Adams publicou The Best of Me, uma segunda compilação de êxitos, mas a sucursal americana da A&M/Interscope recusou-se a lançá-la. O tema-título, “The Best Of Me”, entrou nas tabelas de vendas por toda a Europa e no Canadá.
Adams regressou na Primavera de 2002, colaborando com Hans Zimmer na sua primeira composição completa das canções de um filme, a longa-metragem de animação da DreamWorks, “Spirit – Espírito Selvagem”. A banda sonora chegou ao Top 40 e Adams e Zimmer alcançaram uma nomeação para o Globo de Ouro pela sua parceria.
Em Setembro de 2004, Room Service foi editado no Canadá e na Europa, tendo entrado para N.º 1 na Tabela de álbuns da Billboard European Top 100. Isto foi seguido pouco depois pelo lançamento nos EUA, na Primavera de 2005.
No Outono de 2005, Bryan Adams celebrou o 25.º aniversário da gravação do seu primeiro disco, com Anthology, a sua primeira colecção em duplo CD e a maior retrospectiva da sua multiplatinada carreira. A selecção de 36 canções Anthology percorre toda a carreira de Adams, desde 1980 até aos dias actuais, oferecendo o melhor de um dos mais populares cantores e escritores de canções do rock, que faz do uso permanente de jeans e t-shirt uma imagem de marca.
Durante dez dias em todos os meses, Adams continua a fazer digressões em algum sítio do planeta. Recentemente, foi-lhe atribuída uma placa no Passeio da Fama da Wembley Arena. A cerimónia coincidiu com o seu 25.º espectáculo em Wembley e o aniversário da sua primeira actuação no estádio, quando foi um dos cabeças de cartaz do The Prince’s Trust Charity Concert , no Verão de 1987.
O novo CD de material original de Adams, 11, foi editado em 2008.