
Terão passado quinze anos desde que o artista sueco Jay-Jay Johanson encantou o meio do trip-hop com o hipnotizante Whiskey, mas o sabor original mantém-se forte como sempre. Tal como os seus sete álbuns de estúdio anteriores, Spellbound demonstra o talento do músico para combinar a sua imagem de marca – uma tendência para a melancolia, indiciando um rico universo artístico, e uma voz ímpar – com uma saudável dose de experimentação, o que torna os seus trabalhos consistentes e ousados, completamente modernos e sempre surpreendentes.
O inclassificável Jay-Jay Johanson nasceu no dia 11 de Outubro de 1969, em Trollhattan, num lar pleno de música. Depois de ganhar os seus galões como músico, cantor e compositor de talento, lança o seu álbum de estreia, Whiskey, em 1996. As letras são comoventes, a voz tem alma, a música é simultaneamente suave e áspera: Jay-Jay emerge como o elo que faltava entre o compositor francês Francis Lai e os Portishead, e faz desta combinação impecável de géneros a sua imagem de marca.
Em 1998 lança o cativante Tattoo: dando mostras de uma falsa indiferença, o artista combina teclas nebulosas e ambientes jazzísticos (Even in the Darkest Hour) e batidas fortes numa bossa atmosférica (Quel Dommage), revelando uma atenção cada vez maior à criação de ambientes poéticos densos.
Poison, lançado em 2000, encerra esta primeira trilogia informal. Em 2001, Jay-Jay compõe a sua primeira banda sonora, para o filme francês A confusão do sexo, realizado por Ilan Duran Cohen, e entra no mundo da arte contemporânea.
Sentindo a necessidade de se aventurar em novas direcções, Jay-Jay apresenta Antenna, em 2002. A sua estética minimalista, com lugares de uma beleza gélida (Cookie) ocasionalmente aquecida por luxuriantes camadas de cordas (Tomorrow) e propulsionadas pelo eufórico single On the Radio, alarga a popularidade de Jay-Jay a novos territórios.
O passo seguinte, em 2005, é a gravação de Rush, produzido num equilíbrio perfeito entre o pop etéreo e a música de dança sensual, com Jay-Jay a canalizar a sua tendência para a pista de dança. O convite aos músicos com quem ele trabalhou nos seus primeiros três álbuns (o pianista Erik Jansson e o baterista Magnus Frykberg) marca o início do seu segundo tríptico.
The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known, lançado em 2007, revela a faceta jazzística de Jay-Jay no seu melhor (As Good As It Gets), juntamente com atmosferas complexas e melodias assombrosas (Only For You), enquanto que She Doesn’t Live Here Anymore garante a continuidade das suas baladas sensíveis.
Em 2008, regressado da digressão mundial Long Term, Jay-Jay lança a sua segunda banda sonora para o filme La Troisième Partie du Monde, do realizador francês Eric Forestier. Em 2009, começa a gravar Self-Portrait.
Spellbound é o último álbum do trio. Ao contrário da dureza mineral de Self-Portrait, é um álbum orgânico, quente e vibrante, uma incursão luminosa em terrenos indie. A sua voz, cheia e vigorosa, tece palavras poéticas sobre melodias luxuriantes e arranjos sedutores, deslizando sem esforço dos sons nus para uma vívida paleta de tons acústicos.