
Madeleine Peyroux não interpreta apenas canções, ela possui-as... e vice versa.
Madeleine Peyroux é uma velha alma ou “nasceu com ela” (dependendo da teoria de cada um acerca da temperatura a que arde o talento artístico); isso ficou aparente em 1996, com o lançamento do álbum de estreia, Dreamland, um trabalho extraordinariamente inteligente no qual a cantora de 22 anos trouxe um sentido de intuição proporcional a material associado a Billie Holliday, Bessie Smith e Patsy Cline. A sua decisão de fazer uma versão de “La Vie en Rose”, de Edith Piaf, reflectiu a década que Peyroux, nascida na Georgia, viveu em Paris, dos 13 aos 22 anos. Nos dez anos desde então, ela trouxe uma riqueza de experiência de vida às suas afinidades naturais, manifestadas primeiro no seu segundo álbum, Careless Love, e que se concretiza no novo álbum de Peiroux, Half the Perfect World.
Half the Perfect World, mais uma vez impecavelmente produzido por Larry Klein, serve quer como complemento quer como contraponto ao seu predecessor, Careless Love, de 2004, que conquistou toda a gente e vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo. “Este disco é diferente de Careless Love no sentido em que existe uma harmonia de alegria nele”, diz Peyroux sobre o seu novo álbum. “Fez com que atravessasse algumas fronteiras”.
Enquanto que muito do seu trabalho anterior baseava-se em compositores e cantoras da primeira metade do século XX, a maior parte de Half the Perfect World foca-se em artistas e compositores do tempo de vida da artista nascida em 1974, incluindo Leonard Cohen, Tom Waits, Fred Neil e Joni Mitchell. O talento de Peyroux para escolher as canções perfeitas é novamente a chave do impacto emocional do álbum, mas o seu crescimento permanente como compositora é igualmente importante, e os quatro temas originais do álbum defendem-na bem, subindo o quociente de groove no processo. Peyroux, Larry Klein e Walter Becker, dos Steely Dan, colaboraram para a escrita da faixa de abertura do álbum, a atraente “I’m All Right”. As outras canções originais do álbum reúnem a equipa de composição de Peyroux, Jesse Harris e Larry Klein (que escreveu o single “Don’t Wait Too Long” em Careless Love). O novo álbum completa-se com as interpretações de Peyroux de standards de Johnny Mercer, Charlie Chaplin e Serge Gainsbourg.
“Todas estas canções de amor vêm de um lugar extremamente pessoal - diz Peyroux sobre o novo álbum – pelo que me permitiram uma leitura mais íntima.” De facto, a vocalização de Peyroux traz tamanha percepção quer às versões quer aos originais em Half the Perfect World que um tema emerge – muitas das canções do álbum exploram as relações românticas a partir de uma perspectiva distintamente feminina.
Para além de revelar o seu crescimento artístico, o novo álbum reflecte também a confiança crescente de Peyroux, resultando em parte da sinergia que alcançou em Careless Love com Larry Klein e os músicos nucleares – o guitarrista Dean Parks, o baixista David Piltch e o baterista Jay Bellerose. A eles se junta em Half the Perfect World o teclista Sam Yahel, o baterista Scott Amedola e um elenco estelar de músicos de apoio que inclui o saxofonista Gary Foster, o guitarrista de pedal steel Greg Leisz, Till Bronner no trompete e Larry Goldings na celesta. “Este disco fez com que desse mais saltos em todas as canções, em parte porque existem diferentes tipos de canções em relação àquelas que eu tinha interpretado anteriormente”, diz Peyroux. “Trabalhar com uma equipa com a qual já trabalhei, e sabendo o quão incríveis eles são (...) A profundidade de colaboração e expressão própria entre todos nós define a essência deste álbum.”