Caetano Veloso é, para muitos, a alma e o coração da música brasileira. Como interprete ou compositor, o baiano tem uma assinatura impossível de copiar, um estilo que o define, uma presença que o engrandece: quantos músicos podem hoje dizer-se criadores de um movimento? Caetano é um dos fundadores do tropicalismo e, décadas após décadas, é um dos musicos mais influentes do Brasil. Polémico. Verdadeiro. Ícone. Redescobridor da língua portuguesa.
Irmão de Maria Bethânia, apaixonou-se pela música e pela pintura e aos 6 anos começa a aprofundar esse romance. Passa uma temporada no Rio de Janeiro e regressa a Salvador, descobre a Bossa Nova e João Gilberto - é por influência desse encontro espiritual que aprende violão e começa a cantar com Maria Bethânia.
A sua estreia em disco surge em 1965, com os singles "Cavaleiro" e "Samba em Paz", já da sua autoria. Domingo, um LP partilhado com Gal Costa, surge em 1967, e é já o início do tropicalismo, o movimento que parte das ideias do modernista Oswald de Andrade, ao propôr o reprocessamento de elementos culturais estrangeiros para a criação de uma arte brasileira e original - uma ponte entre o rural e o urbano, a alta e a baixa cultura, o público, a crítica e os artistas. "Tropicália" seria sinalizada como canção-manifesto.
No ano seguinte, Caetano é o disco que inclui "Alegria, Alegria", "Soy Loco Por Ti America" e "Superbacana".
O colectivo de artistas que continua a servir de embaixada ao tropicalismo aproxima-se d'Os Mutantes, uma banda da qual faz parte Rita Lee, e criam Panis et Circenses, em que Caetano Veloso escreve a maior parte das letras. A veia política do movimento começa a demonstrar-se e o grupo é vaiado ao apresentar "É Proibido Proibir" num Festival da Canção da TV Globo e desclassificado, porque Caetano iniciou, de improviso, um discurso contra a plateia e o júri. Gilberto Gil e Caetano Veloso são detidos, soltos no ano seguinte, e partem para o exílio em Inglaterra. Em Londres, estabelecem-se no bairro de Chelsea onde, para além de uma vida cultural intensa, Caetano envia artigos para jornais brasileiros e canções novas para interpretes como Elis Regina ou Roberto Carlos, para além de experimentar gravar em inglês.
Regressa ao Brasil em 1971 e é recebido por uma comunidade em festa: Jorge Ben cantava "Lá vem o mano, o mano Caetano / Ele vem sorrindo, ele vem cantando / Ele vem feliz pois ele vem voltando". Lança o novo álbum, Transa, dá uma série de concertos pelo país e colabora com outros artistas, algumas vezes na produção e outras vezes em palco, cruzando-se finalmente com Chico Buarque num teatro em Salvador da Bahia.
Alguns álbuns depois, cresce a popularidade fora do Brasil: Israel, Portugal, França e África. Outras Palavras e Totalmente Demais tornam-se discos de grande sucesso, recuperando faixas que tinham sido antes proibidas pelo regime. Esta é também a altura em que é descoberto pela crítica dos Estados Unidos, que se rende ao seu talento. Não só Caetano começava a escrever em várias publicações de referência (como o New York Times), mas as editoras começavam também a lançar diversos livros sobre a sua carreira.
A partir de 1989, Arto Lindsay junta-se ao brasileiro para produzir Estrangeiro e Circuladô. Na década de 90 volta a experimentar outras línguas e grava Fina Estampa, um LP em espanhol com arranjos do maestro e violoncelista Jacques Morelenbaum, e Omaggio a Federico e Giulietta, em italiano, como homenagem ao cineasta Federico Fellini e à sua mulher, a actriz Giulietta Masina.
Para além de realmente escrever vários livros, Caetano lança o álbum Livro em 1997, muito elogiado pela crítica em todo o mundo. Desse álbum surge o espectáculo Prenda Minha que, por sua vez, originou um disco ao vivo que vendeu mais de um milhão de cópias, feito inédito para o cantor.
O disco Noites do Norte de 2000, é uma interpretação das culturas negras e do seu papel no Brasil. Já em 2001, Pedro Almodovar, convida-o para a banda sonora de Hable con Ella.
Cê, de 2006, é um álbum em que abertamente explora a sexualidade. Zii e Zie é editado em 2009, antes de embarcar numa digressão com Maria Gadú, que chegaria a passar por Portugal.
Caetano colaborou com Sérgio Godinho no álbum Irmão do Meio (na canção "Lisboa que Amanhece") tendo já elogiado Carminho e António Zambujo nas suas crónicas semanais.
Caetano Veloso é já um veterano dos Grammys Latinos: a cerimónia chegou mesmo a prestar-lhe homenagem em 2012, como "Personalidade do Ano".
Em 2012, o disco Abraçaço foi produzido pelo seu filho Moreno Veloso.